domingo, 12 de janeiro de 2014

Psicomotricidade e Transtornos do Desenvolvimento




 

Apresentei o texto a seguir, originalmente, na forma de slides, que agora disponibilizo aos interessados para utilizar da maneira que acharem mais produtiva. Foram elaborados com vistas à promoção da compreensão e da valorização do papel do educador físico no processo educacional, enquanto profissional capaz de contribuir com a formação integral do educando. Em seguida, disponibilizo meu endereço para contato, caso aja interesse em conhecer outras capacitações que realizei, voltadas para o mesmo assunto ou outros temas de interesse para educadores em geral.

 

Para compreendermos a importância que a psicomotricidade assume na formação do educando é importante considerar o que Gardner (1994, p.161) afirma, ao abordar o assunto da inteligência corporal cinestésica:

 

“Característica desta inteligência é a capacidade de usar o próprio corpo de maneiras altamente diferenciadas e hábeis para propósitos expressivos assim como voltados a objetivos (...) Igualmente característica é a capacidade de trabalhar habilmente com objetos, tanto os que envolvem movimentos motores finos dos dedos e mãos quanto os que exploram movimentos motores grosseiros do corpo”.

 

As habilidades para o uso deste tipo de inteligência poderão ser tão desenvolvidos que, como lembra, no caso dos mímicos, poderão fazer uso do corpo para expressar até mesmo conceitos abstratos, como “liberdade ou escravidão, bem ou mal, feiúra ou beleza” (idem). O controle do próprio corpo e o uso de objetos com habilidade são dois componentes deste tipo de inteligência.

 

Muitas culturas não fazem a divisão entre corpo/mente, como a que ocorre nos países ocidentais. Lembra ainda que os estudos mais recentes têm relacionado o uso do corpo ao desenvolvimento das capacidades cognitivas do indivíduo. Um esportista, um motorista dirigindo seu automóvel, um cirurgião utilizando suas ferramentas, são casos em que se percebe que corpo e mente estão integrados na busca do objetivo pretendido.

 

Com a prática, a intenção vai sendo transformada em ação de modo cada vez mais hábil. Agarrar com precisão um objeto pequeno utilizando polegar e dedos opostos é algo restrito à espécie humana. Um pianista pode demonstrar habilidade refinada, inclusive pela dissociação dos movimentos das mãos.

 

Uma exemplo de como podemos perceber a integração entre corpo e mente pode ser oferecido pelo autor, ao afirmar que:

 

“Os mecanismos de feedback são altamente articulados, de modo que os movimentos motores estão sujeitados a contínuo refinamento e regulação com base numa comparação do estado da meta pretendida e a posição real dos membros ou partes do corpo num momento específico no tempo”.

 

De acordo com a definição de apraxias, afirma que estas são:

 

“... um conjunto de transtornos relacionados, nos quais um indivíduo fisicamente capaz de desempenhar um conjunto de sequências motoras e cognitivamente capaz de entender um pedido e fazer isto, não obstante é incapaz de realizá-la na ordem adequada ou de uma maneira adequada”.

 

Essas desordens podem ocorrer de modo muito específico, como ter incapacidade de vestir-se, ou ser mais geral. Podem ser divididas em:

 

Apraxia membro-cinética: quando a pessoa não consegue desempenhar um comando com as duas mãos.

 

Apraxia ideomotora: dificuldade de fazer de conta que usa um objeto de modo adequado. Frequentemente se destaca dos demais pela impossibilidade de realizar os movimentos pedidos. Exemplo disso ocorre quando se pede a uma pessoa acometida desse tipo de apraxia que imite o movimento de serrar. A mão poderá assumir o gesto inadequado para imitar o segurar do serrote, por exemplo.

 

Apraxia ideacional: nesse caso, a dificuldade ocorre em passar de um movimento para outro, constituindo uma sequência correta.

 

•Algumas culturas promovem atividades em que são valorizadas as dissociações dos músculos, adquirindo grande domínio nesse sentido, que uma pessoa não treinada não será capaz de realizar.

 

•O fato de que mesmo indivíduos acometidos de perda da memória possam desempenhar sequências corporais de modo adequado, leva a crer, segundo o autor, que as apraxias não constituem desordens da compreensão, evidenciando o fato de que as capacidades cinestésico-corporais constituem mesmo uma inteligência.

 

•Tais aspectos levam a considerações sobre a prática escolar do educador físico: a atividade proposta não é somente motora, mas ideomotora, atuando sobre a coordenação dos movimentos grossos e finos e auxiliando na construção de uma imagem pessoal mais positiva de si mesmo.

 

Por fim, Gardner afirma que o corpo é habitado por um eu individual, construído a partir das observações pessoais das próprias habilidades. Por isso, identificar os pontos fortes da criança é fundamental para a promoção de seu desenvolvimento integral.

 


Há ainda outros exemplos de transtornos psicomotores. Entre eles, estão:

Torpor motriz: incluem-se nesse caso:

 

torpor dos movimentos voluntários: ocorre, entre outros, com o caminhar desarmônico.

Sincinesias: ao tentar realizar um movimento, aciona uma parte do corpo que não seria necessária ao mesmo, como quando movimenta ambas as mãos ao ser pedido que o fizesse apenas com uma.


Paratonia: corresponde à dificuldade de relaxar espontaneamente. É frequentemente acompanhada de dificuldades de comunicação, pela incapacidade de fazer uso adequado da motricidade como meio de comunicação, atraso no desenvolvimento motor, manifesto na forma de lentidão.

 

Transtornos de Lateralidade:


São percebidos nos casos de:

 

•crianças ambidestras;

•canhotos contrariados;


lateralidade cruzada.

 


Em geral, aos sete anos de idade a criança já pode reconhecer as noções de esquerda e direita tendo como referência o outro. Dificuldades na lateralidade podem ocasionar confusões na escrita, em que letras de formas semelhantes são confundidas pela criança. Exemplos: p, q, b, d, etc.

 

Inibição Psicomotora


A atividade motora constitui um modo pelo qual a criança conhece o meio e a si mesma. Por isso, é motivo de preocupação crianças que sejam muito inibidas.

 

Instabilidade Psicomotora ou Síndrome Hipercinética


Ocorrem com crianças que demonstram muita necessidade de movimentação. Isso pode ocasionar dificuldades com relação à atenção e ao sono.

 


Assim, podemos concluir que o educador físico pode contribuir de modo valioso para o desenvolvimento dos alunos, estando atento para os seguintes aspectos:

 


A) Reconhecendo os pontos fortes e aqueles em que o educando necessita de intervenção.

 


B) Programando as atividades de maneira que a criança possa encontrar a possibilidade de avançar nos pontos em que seu desenvolvimento está abaixo do esperado.

 


C) Possibilitar, por meio de atividades programadas, que a criança tenha a oportunidade de desenvolver atividades em que possa alcançar sucesso. Isso contribui para fortalecer o seu ego.

D)Estabelecer parcerias e constantes diálogos com todos os atores envolvidos no desenvolvimento do educando, pois quanto mais articulado o trabalho, melhor o resultado.

 

Mensagem Final

 

Educador físico, seu atuar poderá contribuir de modo fundamental para alcançarmos a educação que fará a diferença na vida de nossos alunos: aquela que nós, educadores, educandos e toda a sociedade necessita. 

 

 

Bibliografia

•ARNAIZ SÁNCHEZ, Pilar. A psicomotricidade na educação infantil: uma prática preventiva e educativa. Porto Alegre: Artmed, 2003.

•GARDNER, Howard. Estruturas da mente: a teoria das inteligências múltiplas. Porto Alegre: Artmed: 1994.


MORAES, Alberto P. Q. de. O livro do cérebro, v.2. São Paulo (SP): Duetto, 2009.  

sábado, 11 de janeiro de 2014

A Interpretação do Desenho Infantil


 

Pretendo apresentar, brevemente, os principais aspectos abordados pela autora do livro Como interpretar os desenhos das crianças, seguido pela análise de um caso que foi estudado pessoalmente, resultando da aplicação das técnicas de análise propostas.

 

Nicole Bédard é uma pedagoga canadense. Seu livro é direcionado a educadores e demais pessoas envolvidas no trabalho com crianças. No início de sua discussão, esclarece a diferença de conceitos como “analise” e “interpretação”. Analisar estaria relacionado a um enfoque “técnico”, “racional”. A interpretação seria correspondente à síntese ou resultado da análise. Tais conhecimentos, de acordo com a autora, são ensinados aos futuros educadores, em algumas especialidades da puericultura. A interpretação de desenhos teria pontos em comum com a Grafologia, que considera desde os aspectos espaciais relacionados ao texto escrito até outras características como dimensões dos caracteres e a pressão com que são exercidos.

 

A autora afirma que a atividade de desenhar nunca deve se tornar uma imposição, mas ser espontânea e prazerosamente desenvolvida pela criança. No momento em que desenha, a criança transpõe para o papel seu “estado anímico”.

 

Em seguida, a autora esboça os períodos aproximados em que surge o interesse pelo desenho espontâneo, assim como suas principais características. Entre dezoito meses e dois anos ocorre interesse por rabiscar sobre superfícies grandes, não havendo ainda domínio da coordenação motora, caracterizada nesse momento como sendo “desajeitada”. Entre dois e três anos de idade, ocorre predomínio da experimentação sobre a expressão. O controle motor continua sendo desenvolvido, ocorrendo melhores condições de segurar o lápis com firmeza. Uma peculiaridade que ocorre dos quatro aos cinco anos é que as cores são escolhidas de modo a se adequarem à realidade do objeto que está sendo desenhado. A capacidade imaginativa se faz acentuada nesse período, explicando o interesse pelos contos de fadas.

 

A escolha do material apresentado para a produção dos desenhos oferece indicações das características da personalidade de uma pessoa. O lápis de ponta fina é preferido por aqueles que valorizam o conforto e o luxo. Ponta média se relaciona à adaptabilidade e flexibilidade. O lápis de ponta mais grossa é o preferido pelas pessoas que não gostam de mudar facilmente as próprias opiniões, sendo pouco influenciáveis. No entanto, gostam de exercer sua influencia sobre os outros. No caso das crianças, as mesmas atitudes estariam relacionadas à preferência pelo uso da aquarela, lápis de madeira e lápis de cera.

 

Crianças que continuam apresentando preferência pelos lápis de cera e aquarela após o período da fase anal, a qual é caracterizada pela predileção por uso de materiais como areia, massa de modelagem ou barro, costumam valorizar mais o que são capazes de transmitir pela ponta dos dedos do que pelo que se passa em sua mente. A inclinação para atividades manuais e físicas tem prioridade para elas. Por outro lado, a preferência pelo lápis de madeira bem apontado, indica inclinação pela reflexão.

 

O papel utilizado para desenhar também é significativo, relacionando-se a características da personalidade. Por isso, deve-se providenciar papéis de diferentes formatos. A escolha de um papel pequeno mostra capacidade de introversão e concentração, mas também poderia indicar falta de confiança ou o sentimento pessoal de que há poucas necessidades a serem satisfeitas. Traços fracos, superficiais ou vacilantes caracterizam falta de confiança nas próprias possibilidades. A opção por uma folha de formato médio indica capacidade de ajustamento e flexibilidade, com boa relação interpessoal. No caso da escolha da folha de papel grande, isso mantém relação com o sentimento pessoal de ser capaz de realizar coisas socialmente significativas. Essa criança busca os contatos sociais e evita a solidão. Às vezes poderá chegar a se comportar de uma forma que indique um sentimento de superioridade em relação aos demais.

 

Mais adiante, a autora expõe a reação da criança diante do desenho. Quando não corresponde ao que foi esperado, poderá tanto riscar o desenho quanto lançá-lo ao cesto de lixo. A primeira atitude tem um significado bem diferente do segundo. Neste caso, mostra tolerância para recomeçar e superar as frustrações existentes.

 

A orientação espacial oferece indicações de outros aspectos importantes. O espaço superior da folha guarda relação com o intelecto da criança, sua imaginação, curiosidade e desejo de descoberta. A parte inferior relaciona-se a necessidades “físicas” ou “materiais” que a criança pode apresentar. O lado esquerdo do papel guarda relação com o passado, os acontecimentos a ele relacionados e a dificuldade de vivenciar o momento presente ou o futuro. O uso do centro do papel tem relação com o momento presente. Essa criança é descrita como alguém que não vivencia ansiedades ou tensões. A utilização do espaço à direita mostra a tendência a pensar exclusivamente no futuro.

 

Quanto às dimensões, a autora afirma que formas grandes estão relacionadas ao sentimento de segurança ou então ao desejo de chamar atenção. No primeiro caso seria uma afirmação de seu lugar na vida, enquanto que no segundo seria a expressão do desejo de consegui-lo. O desenho muito pequeno pode indicar a conformidade com a necessidade de pouco espaço ou mesmo falta de confiança em si mesma.

 

Quanto às cores. As fortes como vermelho, laranja e amarelo estariam relacionadas à criança exigente, que deseja chamar atenção para si. As cores suaves como o azul e o verde, apontam para um comportamento social adequado.

 

       As qualidades do traço. Um traço contínuo demonstra um espírito dócil. O traço manchado ou cortado aponta para a existência de instabilidade ou de necessidades experimentadas no momento, como a possibilidade de que tenham ocorrido mudanças, bem como a insegurança vivenciada no momento diante das mesmas. O traço oblíquo somente indicará a presença de agressividade se a pressão for exercida demasiadamente.

 

Ainda quanto à pressão, um gesto pode ser débil ou forte. A pressão exercida com entusiasmo e vontade diferencia-se da pressão exagerada que, como já mencionado, tem relação com a agressividade. Condições específicas, entretanto, podem influenciar nesse sentido. Assim, um traço fraco pode ser indicador de falta de convicção, mas também resultado do cansaço físico.

 

O simbolismo das formas. Linhas curvas são equivalentes simbólicos das cambalhotas e denotam alegria. Também se relaciona ao ciclo, indicando a predileção por retratar coisas que já conhece. O quadrado, formado por traços “mais rígidos”, está relacionado ao sentimento de solidão, determinação e “poder de decisão”. As formas quadradas teriam prevalência nos casos de crianças que têm maior necessidade de se movimentarem e gastar energia. Tem qualidades e necessidades, como espírito de competição e falta de compaixão. O triângulo representa elevação, conhecimento. Quando o vértice está para cima, indica uma relação com o conhecimento transcendente, enquanto que quando o vértice está para baixo, orientado para a terra, as coisas do mundo imediato têm especial importância para ela..

 

A análise de desenhos cujo tema se repete tem que ser considerada com cautela, pois isso poderia ocorrer devido ao elogio frequente do mesmo, feito por pessoas como os pais, os professores da criança ou demais pessoas de sua convivência diária.

 

Interpretação das cores. A predileção pelo vermelho guarda relação com a natureza enérgica da criança. Esta é uma cor ativa. O amarelo se relaciona com conhecimento, curiosidade e alegria. As que a utilizam preferencialmente, costumam ser crianças mais expressivas. Laranja expressa a necessidade de contato social e público. O azul simboliza a paz, harmonia e tranquilidade. Pode indicar também introversão e necessidade de trabalhar no próprio ritmo. Verde é composto de azul e amarelo e relaciona-se com os sentimentos de curiosidade, conhecimento e bem-estar. A cor preta tem relação com o inconsciente. Ao utilizar essa cor, mostra-se preferir a segurança e demonstra-se possuir confiança em seu futuro. Quando acompanhado da cor azul pode indicar que se trata de uma criança depressiva. A cor rosa tende a ser indicadora de necessidade de ter contato apenas com as coisas agradáveis e fáceis. É fácil de estabelecer contato com essa criança, embora tenha dificuldade com situações que não sejam agradáveis. Malva é composto de vermelho e azul. Mostra um comportamento oscilante. Ora demonstra-se introvertida, ora extrovertida. O marrom se relaciona com o elemento terra, significando estabilidade. O cinza demonstra oscilação entre o conhecido e o desconhecido. Está relacionado a um momento de transição e um sentimento de estar entre o passado e o futuro. Usado com demasiada frequência pode indicar insegurança. A cor branca indica a tendência a esquecer o que passou e desejar recomeçar. O desenho de uma só cor demonstra que a criança quer que a compreendamos.

 

As estações. Paisagens de Inverno indicam a necessidade de paz e harmonia. Primavera indica o sentimento de esperança e renovação. A estação de Verão, com suas cenas compostas de flores e pássaros, evidenciam que a criança vive no presente e que está realizada com o que ocorre em sua vida atual. Desenhos de Outono indicam a necessidade de descanso. Está querendo dizer que deu o máximo de si. Mostrar-se-á um pouco lenta em função disso.

 

A casa. Observar a pressão empregada, mas, sobretudo o número de janelas, a fumaça das chaminés, a fechadura ou o puxador da porta, quando existirem esses elementos. Casa muito grande evidencia a vivência de um período mais emocional que racional, enquanto que uma casa pequena demonstra a existência de introspecção. Porta pequena indica dificuldade em convidar as pessoas para entrar em sua casa. Caracteriza a criança reservada. Uma porta muito grande indica as boas vindas a todos os que chegam. Maçaneta, puxador ou fechadura à esquerda mostra que os pensamentos estão ligados ao passado e que busca maior segurança no futuro. À direita, necessidade de mudança, foco no futuro.

 

            A chaminé. A autora relaciona a fumaça ao tipo de emoção experimentada pela criança. Uma nuvem densa e escura poderá ser o indicador de condições desfavoráveis no ambiente familiar. Quando a casa apresenta uma aparência alegre, pelo uso das cores, está demonstrando que as condições vivenciadas são positivas.

 

As janelas. Indicam curiosidade. Um número de janelas maior possibilita maior claridade no ambiente. Como já mencionado, a interpretação pode ser positiva ou negativa. As janelas poderão ser indicadoras de satisfação do desejo de saber ou a expressão da necessidade de saber mais. No último caso, trata-se mais de uma reivindicação. As portas. Enquanto a observação ocorre pela janela, a entrada se dá pela porta.

 

As figuras humanas. Costumam representar a própria criança e aqueles de seu ambiente familiar. É preciso estar atento ao que é expresso no rosto, braços e pés. A presença de desenhos em forma de “homens-palitos” teria relação com um sentimento pessoal de conceder-se pouca importância e de desejar chamar a atenção para si. Os olhos grandes têm relação com o sentimento de curiosidade e os pequenos de falta de curiosidade ou recusa em querer ver o que ocorre a sua volta. Ausência de boca indicaria o desejo de não falar, de permanecer em silêncio. O destaque ou não nos ouvidos pode relacionar-se ao desejo de ser ouvida. Braços para cima é desejo de chamar atenção. Colados ao corpo refere não querer contato social. Abertos em horizontal, necessidade de interagir. Ausência de mãos relaciona-se à dificuldade de dominar a situação em que vive. Ausência de pés relaciona-se à dificuldade de se sentir estável ou dependência dos outros, pela incapacidade de mover-se por si mesma.

 

O Sol. Representa a energia masculina, relacionando-se ao nosso lado mais combativo. À esquerda do papel está ligado ao passado e também à figura materna. Pode estar evidenciando, nesse sentido, a presença de independência como fator presente na figura materna. À direita, relaciona-se à percepção que a criança tem de seu pai. Radiante em excesso pode estar ligado à tendência à violência verbal ou física por parte do pai. Ausência de raios indica perda da autonomia ou entusiasmo. Localizado ao centro da folha de papel, será o próprio indivíduo. Poderá indicar que a criança se sente responsável, de alguma forma, por seus pais.

 

            A Lua. Relaciona-se ao aspecto feminino, à doçura e à intuição. Representando a figura materna, aparecerá do lado esquerdo da folha. O desenho de uma Lua cheia no centro do papel adequa-se às características de uma criança sonhadora. A Lua redonda indica o indivíduo que afirma a sua singularidade. Um aspecto que pode estar envolvido é a necessidade de ter os pés no chão.

 

            Estrelas. Desenhar estrelas, em sentido figurado, está relacionado à projeção, consciente ou não, de se tornar estrela, evidenciando o desejo de um futuro brilhante.

 

Nuvens. Indicam consciência de que a vida contém momentos agradáveis e momentos difíceis. Nuvens azuis apontam para o bom tempo, enquanto que as nuvens escuras indicam presença de tormenta.

 

A chuva. Como todos os demais símbolos, a chuva pode ser vista sob o aspecto positivo ou negativo, representando o agente purificador ou devastador.

 

Arco-Íris. Representa proteção. Sua forma curva representa adaptabilidade, flexibilidade.

 

A árvore. A base do tronco indica a energia física da criança e a estabilidade que sente. Quanto mais amplo for o tronco em sua base, maior segurança ela experimenta. A base é o local por onde a energia é retirada do solo pelas árvores e plantas em geral. E espessura do tronco evidencia como a criança se sente em relação ao lugar social que ocupa. O círculo desenhado no tronco das árvores, a partir dos cinco anos de idade, marca o início ou o “despertar da sexualidade” na criança. Ramos e folhas revelam imaginação e criatividade. Árvores sem folhas, ou com poucos galhos, indica que não está se sentindo bem alimentada. Toda imaginação está ligada à seiva que a alimenta. Folhagem abundante indica muitas ideias e projetos.

 

As flores. Simbolizam o amor. Quando as crianças se encontram no período denominado “complexo de Édipo”, costumam aparecer flores com mais frequência em seus desenhos, pela necessidade que tem de agradar.

 

As montanhas. Indicam a estabilidade encontrada ou que se deseja encontrar. Deve-se observar a disposição das mesmas na página, pelas razões já apresentadas, bem como o que é desenhado sobre a montanha. Também se relaciona à quantidade de energia que será despendida para conquista de sonhos ou projetos, geralmente representados pelas flores.

 

O barco. Indica capacidade de adaptação às circunstâncias inesperadas. Uma água clara denota um momento tranquilo, enquanto que as ondas podem indicar as mudanças que estão ocorrendo. Barcos grandes indicam a possibilidade de controle das circunstâncias. O veleiro indica a possibilidade de adaptação às diversas circunstâncias da vida. Mas também indica menor equilíbrio. É preciso estar atento quando sua presença evidencia necessidade de receber apoio.

 

Avaliação exaustiva do desenho. Por fim, a autora argumenta em favor de uma avaliação exaustiva do desenho, quando será necessário dispor de vários desenhos espontâneos já realizados pela criança. Isso favorecerá o encontro de regularidades e a interpretação dos desenhos.

 

Discussão Sobre o Desenho de uma criança de dez anos. 

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Tendo em vista todos os aspectos a que se deve estar atento para interpretar o desenho das crianças, podemos nos utilizar do presente exemplo, o qual resultou de observação pessoal, pela aplicação das categorias de análise propostas, a fim de chegar a uma interpretação pessoal. O desenho foi realizado, conforme a denominação da autora, recorrendo-se à forma de “homens-palitos”. De acordo com o que vimos, isso evidencia necessidade de chamar atenção. Essa conclusão não é isolada, mas alcançada também pelo que se sabe a respeito da criança que o desenhou, por meio de entrevistas familiares, conversa com educadores e pela observação durante a realização de atividades em pequenos grupos.

 

As laterais do desenho foram feitos com apoio de régua, enquanto que as cabeças dos personagens foram feitas utilizando-se de uma tampinha de garrafa Peti, o que pode estar relacionado à necessidade de receber apoio. Os personagens não possuem mãos e, provavelmente, a ausência de pés evidencia algo sobre como se sente em relação às condições familiares atuais. A “Casa do Rico”, como ela chamou, está representada à esquerda. Talvez isso represente o modo como se sentia no passado, enquanto as atenções giravam ao seu redor e ela se percebia mais protegida por ambos os genitores. À direita, mostra-a como quer que seja o futuro, com a família junto novamente. Percebemos que a chave da casa está em sua mão direita. A porta tem dimensões reduzidas, com a maçaneta à direita. Parece querer abri-la com a chave, mas o tamanho da porta talvez indique que ela nutre uma insegurança a respeito da estabilidade da situação. Já passou pela mesma experiência outras vezes. É como se indagasse: “Será que dessa vez dará certo? A porta foi aberta no passado e me frustrei. E se tudo voltar a ser como está?” Os olhos minúsculos parecem estar indicando a necessidade de perceber os fatos do ponto de vista mais emocional do que racional.

 

O braço da mãe, estendido em direção ao cônjuge, no entanto mantendo certa distância, aparentemente indica que esta quer se reaproximar, mas com cautela. A criança também vivencia bastante insegurança nesse sentido, mas as janelas indicam que quer acreditar na mudança. As posições dos dois sóis, com suas respectivas cores, podem estar relacionadas ao sentimento experimentado em relação aos genitores. Amarelo para o sol à direita e laranja para o sol à esquerda. No último caso, a relação da cor com a necessidade de contato social parece ser uma possibilidade percebida pela criança com respeito à figura materna, com contatos sociais muito limitados.

 

Conclusão

 

A autora alerta, entretanto, que em qualquer situação, o símbolo pode ter uma interpretação positiva ou negativa, motivo pelo qual o contexto deverá ser considerado antes de buscar a realização da síntese ou interpretação do desenho. O objetivo é auxiliar a criança quando se fizer necessário. A autora enfatiza que o que pode ser observado pelos desenhos da criança ajudará a incrementar o conhecimento de aspectos de sua personalidade. Nesse sentido, entendemos que o desenho é mais uma das possibilidades de expressão do ser humano, não a única. No caso das crianças, tem especial importância pelo fato de que elas gostam de usar essa forma de expressão espontaneamente. As medidas possíveis após o trabalho de interpretação podem ser: realização de entrevista e orientação familiar, dinâmicas coletivas relacionadas às necessidades observadas e encaminhamentos a outros profissionais (como psicólogos ou assistentes sociais), a fim de iniciar uma avaliação especializada ou um acompanhamento, caso necessário.

 

Bibliografia

 

BÉDARD, Nicole. Como interpretar os desenhos das crianças. Editora Isis: São Paulo, 2010.

Dotação E Talento: Identificação E Intervenção






“Na perspectiva da educação inclusiva, a educação especial passa a integrar a proposta pedagógica da escola regular, promovendo o atendimento às necessidades educacionais especiais de alunos com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e altas habilidades/superdotação” (Marcos Políticos Legais da Educação Especial, p. 20).

 

“Alunos com altas habilidades/superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu interesse (op. Cit. P. 21).

 

Calcula-se que existam sujeitos dotados em algum domínio numa proporção de 3 a 5% da população (op.cit.p.1). A terminologia brasileira utilizada é bastante criticada por estudiosas como Guenther (2012, p. 8).

 

Definição de Conceitos 

 

“Altas Habilidades”: Tradução infeliz da expressão inglesa “high ability”, que deveria ser traduzida como “capacidade elevada”, no singular. Esclarecer esse aspecto é importante, pois ao usar “ability”, um falante nato de inglês estará se referindo a algo relacionado ao aspecto genético. Caso queira falar sobre algo adquirido pela prática, em inglês seria usado “skill”.

 

Superdotação: Com exceção do Brasil, não é adotada em nenhum outro lugar do mundo.      

 

Capacidade: Definida como poder de aprender”; “poder de captar informação do ambiente, abstrair, organizar, relacionar e incorporar esse material ao campo perceptual interno de significados” (idem). A aprendizagem, no entanto, ocorre por vários caminhos, não apenas pela instrução formal. Alguns desses caminhos são a imitação, vivência, observação e experimentação.

 

Dotação: Capacidade natural. A dotação está relacionada ao plano genético e manifesta-se geralmente por caminhos diferentes aos do talento. Apresenta crescimento lento, aprendizagem informal, maior relação com o aspecto genético, mais generalizável, entre outros aspectos. A dotação é uma notável capacidade natural em um ou diversos domínios. Permite maior poder de previsão. A dotação está relacionada aos seguintes aspectos ou capacidades em diferentes escalas: inteligência, criatividade, capacidade socioafetiva, capacidade física e capacidade de percepção, conforme Gagné.

 

Talento: Capacidade adquirida. Apresenta crescimento rápido, ensino formal, maior componente resultante de treino ou prática. O talento é um notável desempenho, geralmente em uma área específica do conhecimento. Um talento específico apresenta relação retrospectiva. O talento corresponde a algum tipo de ação, ou modo de fazer algo de maneira a se destacar em alguma atividade que envolve treino, reforço. Existem apenas algumas capacidades, mas centenas de talentos: artístico, musical, mecânico, culinário, entre outros. 

 

Áreas de Manifestação das Capacidades

 

São considerados dotados ou talentosos os estudantes que demonstram potencial para realização de tarefas dentro de um nível substancialmente além do resto do grupo ao qual pertencem, conforme sua faixa etária. Essa identificação pode ser feita em qualquer etapa do desenvolvimento (www.nicurricum.UK). 

 

A Seguir, apresentamos uma descrição das áreas em que poderão ser encontradas as capacidades, conforme fonte anterior:

 

_ Talento ou capacidade intelectual geral;

 

_ Talento ou aptidão acadêmica específica;

 

_ áreas artísticas visuais, performativas e esportivas;

 

_ capacidade de liderança;

 

_ Pensamento produtivo ou criativo;

 

_ Engenhosidade mecânica;

 

_ Capacidades especiais de empatia, compreensão e negociação.

 

Como Identificar

 

Esta etapa envolve entrevista com os pais, ocasião em que poderá ser utilizado um questionário, cujas informações auxiliarão na identificação da capacidade. Também será útil a nomeação pelos próprios pares, bem como a autonomeação e a entrevista com os professores (Teste Nebrasca Starry Night).

 

A Identificação Feita Pelos Professores

 

Os professores poderão contribuir com informações a respeito do perfil do aluno, observando alguns aspectos, tais como:

 

a)    Conhecimento extensivo do aluno;

 

b)    Rapidez para compreender conceitos explicados, em comparação com os demais;

 

c)    Sentir-se enfadado diante da tarefa, pois domina o assunto antes dos demais;

 

d)    Demonstração de criatividade, quando o assunto é de seu interesse;

 

e)    Relacionar ideias de maneira original, com o conhecimento que já possui;

 

f)     Extrair os pontos mais relevantes de assuntos apresentados, diferenciando-os dos aspectos secundários;

 

g)    Frequentemente ocorre preferência por falar, em vez de escrever, em decorrência de raciocinar de forma rápida;

 

h)   Curiosidade constante e desejo de saber mais;

 

i)     O modo de apresentar os questionamentos faz com que se sobressaia entre os demais;

 

j)      Consegue passar de exemplos concretos para a abstração de regras;

 

k)    Percebe semelhanças e diferenças rapidamente;

 

l)     Pode ocorrer a tendência ao perfeccionismo, em decorrência da própria expectativa de padrões elevados que se apresenta;

 

m)  Preocupação em melhorar sistemas, objetos e instituições. Por isso, perceberão contradições existentes;

 

n)   Sensibilidade em relação às necessidades dos demais;

 

o)    Impaciência diante das revisões de assuntos que já dominam;

 

p)    Demonstração de interesses globais, como justiça, destacando-se em relação aos da mesma idade.

 

Identificação por Áreas do Conhecimento

 

Matemática

 

a)    Realiza argumentações coerentes;

 

b)    Demonstra habilidade para o reconhecimento de padrões, regularidades;

 

c)    Sabe verificar, justificar e provar;

 

d)    Parece compreender o assunto pulando etapas, dominando-o em menor tempo;

 

e)    Capaz de generalizar por exemplos;

 

f)     Compreende com facilidade o uso de símbolos como parte do processo de pensamento;

 

Linguagem

 

a)    Habilidades de leitura precisas e atenção a detalhes;

 

b)    Sensibilidade no uso da linguagem para expressar suas ideias com precisão;

 

c)    Senso de apreciação do humor;

 

d)    Respostas críticas e possibilidade de avaliar o próprio trabalho;

 

e)    Compreensão de inferência e dedução, realizando leituras nas entrelinhas;

 

f)     Enfoque sobre as atividades de escrita, feita de modo consciente e cuidadoso;

 

g)    Habilidade de reflexão sobre os usos da linguagem;

 

h)   Atenção ao significado e pronúncia das palavras;

 

i)     Habilidade no domínio bilíngue, quando estimulado;

 

j)      Fluência no domínio da língua e vocabulário amplo;

 

k)    Identifica intenções durante a leitura;

 

l)     Relaciona diversos textos lidos;

 

m)  Transfere suas habilidades no campo da língua dentro das diversas disciplinas curriculares;

 

n)   Apresenta perspicácia no uso da língua para comunicar-se com falantes nativos.

 

Ciência

 

a)    Reconhecimento de padrões e relações nos dados científicos, utilizando-se de hipóteses baseadas em evidências válidas;

 

b)    Consciência de que o contexto influencia a interpretação do conteúdo científico;

 

c)    Consegue justificar suas hipóteses apresentando argumentos de que os dados são confiáveis e verificáveis;

 

d)    Gosta de raciocinar logicamente;

 

e)    Demonstra habilidade no uso da linguagem subjetiva para a construção de suas ideias;

 

f)     Apresenta flexibilidade no raciocínio e capacidade de realizar aproximações para a resolução de problemas;

 

g)    Avalia achados de modo crítico.

 

Tecnologia da Informação

 

a)    Faz uso de recursos de hardware e software de modo independente;

 

b)    Utiliza recursos tecnológicos para a resolução de problemas;

 

c)    Prefere o uso de recursos tecnológicos para realização de estudos de vários assuntos;

 

d)    Consegue identificar as limitações disponíveis nos recursos tecnológicos existentes, podendo realizar sugestões para melhorá-los;

 

e)    Tem consciência das implicações éticas, sociais e econômicas relacionadas ao uso de recursos tecnológicos.

 

Geografia

 

a)    Possui conhecimento amplo sobre o mundo;

 

b)    Demonstra interesse pelo ambiente físico no qual vive;

 

c)    Aprecia as relações entre as diferentes escalas do ambiente;

 

d)    Aprecia atitudes e pontos de vista variados;

 

e)    Desenha com criatividade e interpreta relações espaciais;

 

f)     Boas habilidades no processamento de informações;

 

g)    Observa com entusiasmo o mundo à sua volta;

 

h)   Gosta de identificar padrões e semelhanças em diferentes contextos;

 

i)     Compreende e explica inter-relações complexas;

 

j)      Formula opiniões e usa evidências para apoiar seus pontos de vista;

 

k)    Gosta e demonstra habilidades para o uso de recursos visuais, mapas e fotografias.

 

Arte

 

a)    Analisa e interpreta suas observações e apresenta-as criativamente;

 

b)    Demonstra grande interesse pelo mundo visual;

 

c)    Apresenta rapidez para compreender e transferir ideias;

 

d)    Facilidade para realizar conexões e comparações com os trabalhos dos demais.

 

Historia

 

a)    Hábil para colocar informação previamente adquirida dentro de um quadro cronológico;

 

b)    Demonstra amplos conhecimentos gerais e históricos;

 

c)    Tem consciência da natureza transitória do conhecimento;

 

d)    Gosta de debater o significado de eventos, povos e mudanças;

 

e)    Faz uso confiante de convenções, relacionando-as a determinado período histórico;

 

f)     Conhece as diferenças relacionadas a cada período histórico;

 

g)    Relaciona assuntos estudados, imaginando como podem ser articulados com outros assuntos e/ou disciplinas do currículo;

 

h)   Gosta de realizar interpretações desafiadoras;

 

i)     Fica bastante motivado quando o assunto envolve pesquisas históricas, demonstrando autonomia para realizá-las;

 

j)      Seleciona com habilidade os conhecimentos provenientes das fontes conhecidas para usá-las de modo coerente;

 

k)    Mostra determinação e perseverança para investigação de tópicos relacionados a acontecimentos históricos;

 

l)     Demonstra habilidades para realizar julgamentos relacionados aos eventos históricos;

 

m)  Alcança conclusões, apoiando-as em dados e evidências;

 

n)   Usa informação histórica para apoiar suas narrativas;

 

o)    Usa terminologia com acurácia e confiança.

 

Educação Física

 

a)    Usa o corpo de modo imaginativo e diferenciado para expressar-se;

 

b)    Domina aspectos como forma, espaço, dimensão e ritmo;

 

c)    Capacidade de movimentar-se com fluidez e elegância quando é necessário;

 

d)    Faz bom uso de vocabulário adequado e termos técnicos;

 

e)    Avalia de modo crítico o próprio trabalho e o dos demais, integrando as observações para melhora dos mesmos;

 

f)     Boa capacidade de adaptação, antecipação e tomada de decisões;

 

g)    Demonstra capacidade de transferir aprendizado dentro de um amplo domínio de atividades psicomotoras;

 

h)   Consegue assumir liderança e demonstrar independência.

 

Línguas Estrangeiras Modernas

 

a)    Demonstra interesse e empatia em relação a culturas estrangeiras;

 

b)    Reconhece padrões gramaticais e funções das palavras;

 

c)    Utiliza-se de indícios de pistas linguísticas ou não linguísticas para inferir significados;

 

d)    Capacidade de ouvir e reproduzir sons com precisão;

 

e)    Percebe regras gerais extrapolando-as de exemplos;

 

f)     Tem estratégias de comunicação efetivas;

 

g)    Demonstra curiosidade sobre o modo como a língua opera, seus significados e funções;

 

h)   Faz uso de vocabulário técnico para discutir sobre a linguagem;

 

i)     Habilidade para memorizar novos sons;

 

j)      Tem pensamento flexível, intuição e criatividade.

 

Música

 

a)    Ouve música mentalmente com frequência;

 

b)    Demonstra grande capacidade expressiva;

 

c)    Responde emocionalmente aos sons;

 

d)    Tem forte memória musical;

 

e)    Apresenta sensibilidade a melodias, timbres, ritmos e padrões;

 

f)     Coerência e individualidade em desenvolver ideias musicais;

 

g)    Demonstra motivação e dedicação para a prática musical.

 

Educação Religiosa

 

a)    Reconhece e expressa sentimentos pessoais e empatia com os outros;

 

b)    Constrói e sustenta argumentação complexa, integrando ideias de diversas fontes;

 

c)    Levanta questões e percebe relações;

 

d)    Aprecia ou avalia o sistema de valores dos demais, construindo julgamentos ou conclusões;

 

e)    Sensibilidade com questões sociais e preocupação com igualdade;

 

f)     Habilidades para refletir sobre diferentes tipos de conhecimentos e integrá-los;

 

g)    Faz uso de intuição e experiência pessoal como aprendizado compartilhado com os demais.

 

Design e Tecnologia

 

a)    Aceita rapidamente e discute novas ideias;

 

b)    Conceitualiza além da informação dada;

 

c)    Identifica soluções elegantes e simples para dados complexos e de desorganizados;

 

d)    Apoia-se na reflexão, sendo construtivamente autocríticos;

 

e)    Transfere ideias familiares para o novo problema;

 

f)     Demonstra habilidades para representar ideias de modo estético em uma variedade de formas: visual, espacial, verbal e matematicamente;

 

g)    Demonstra independência para pesquisar novas fontes para resolver problemas;

 

h)   Tem consciência das questões éticas e sociais envolvidas nesse campo do conhecimento.

 

Desenvolvimento Pessoal

 

a)    Identifica-se com os sentimentos dos outros;

 

b)    Demonstra autoconfiança;

 

c)    Apresenta flexibilidade e acolhe bem as mudanças;

 

d)    Constrói bons relacionamentos;

 

e)    Trabalha bem em colaboração;

 

f)     Apresenta consciência das questões sociais e ambientais;

 

g)    Desempenho bom em debates, discussões e em assumir papéis;

 

h)   Apresenta iniciativa e persistência;

 

i)     Reflete sobre os erros pessoais e os corrige;

 

j)      Demonstra autocontrole;

 

k)    Usa habilidades de comunicação de modo efetivo;

 

l)     Hábil para persuadir e negociar;

 

m)  Lidera e inspira os outros;

 

n)   Gosta de participar de atividades na comunidade;

 

o)    Demonstra honestidade e integridade.

 

Drama

 

a)    Apresenta capacidade para engajar-se efetivamente em um papel;

 

b)    Usa gestos apropriados, de modo confiante e adequado a um personagem;

 

c)    Tem habilidade para encenação de um papel, seja ensaiando-o ou improvisando-o para uma plateia;

 

d)    Tem adequada compreensão dos recursos de design e efeitos especiais possíveis de serem utilizados no palco;

 

e)    Demonstra capacidade e interesse em discutir sobre drama com outras pessoas;

 

f)     Capacidade e “visão” para transpor um texto do papel para o palco;

 

g)    Demonstra capacidades expressivas no uso da voz e tonicidade;

 

h)   Capacidade de inventar e sustentar um papel;

 

i)     Gosta de dramatizações improvisadas, música ou dança dramática;

 

j)      Possui amplos conhecimentos sobre drama e teatro;

 

k)    Sensível ao uso da linguagem durante a encenação.

 

E Como Auxiliar na Realização do Trabalho Pedagógico?

 

Taxonomia de Bloom

 

A Taxonomia de Bloom faz uso de habilidades de aprendizado de ordem superior. Quando estudamos, podemos desenvolver algumas estratégias de modo intuitivo, tais como sublinhar um trecho importante, parafrasear uma ideia. Esses são recursos de aprendizado. A Taxonomia de Bloom oferece a possibilidade de estimular o uso de recursos avançados, capazes de auxiliar os alunos dotados e talentosos em seu desenvolvimento. Essas habilidades são estimuladas por meio dos seguintes tópicos:

 

 

a)    Lembrar;

 

b)   Analisar;

 

c)     Compreender;

 

d)   Aplicar;

 

e)     Avaliar;

 

f)     Criar.




Bibliografia

 

Brasil. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Marcos Político-Legais da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva / Secretaria de Educação Especial. – Brasília: Secretaria de Educação Especial, 2010. 72 p.

 

GUENTHER, Zenita Cunha. Crianças dotatas e talentosas...não as deixem esperar mais! Rio de Janeiro: LTC, 2012.